Filhos de vítima de feminicídio suspeitos de sequestrar e agredir homem apontado como assassino da mãe são soltos em MT

  • 13/03/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher é vítima de feminicídio e filhos são presos, suspeitos de vingar a morte da mãe A Justiça determinou, nessa quinta-feira (12), a soltura do jovem de 22 anos que havia sido preso durante o velório da própria mãe, em Confresa, a 1.160 km de Cuiabá, e do irmão dele, de 16 anos, apreendido por suspeita de sequestrar e agredir o padrasto Lourival Lucena Pinto Filho, considerado o principal suspeito do feminicídio de Gabia Socorro da Silva. Segundo a Justiça, a prisão do filho mais velho foi considerada ilegal porque o suspeito não estava em situação de flagrante quando foi detido, na terça-feira (10). Já o filho adolescente de Gabia, que havia sido apreendido na mesma ocasião que o irmão, também foi liberado. A juíza responsável pela Vara da Infância e Juventude considerou que a apreensão foi legal, mas decidiu liberar o menor por entender que não havia requisitos para a internação provisória. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp De acordo com o processo, o suposto sequestro e agressão teria ocorrido na madrugada do dia 10. No entanto, o jovem só foi localizado pela Polícia Militar cerca de 20 horas depois, por volta das 13h45 do dia seguinte, durante o velório da mãe em uma funerária do município. Na decisão, o juiz avaliou que não houve prisão no momento do crime nem perseguição contínua logo após os fatos. Conforme o entendimento, o suspeito foi encontrado apenas após diligências e levantamento de informações feitos pela polícia, o que não caracteriza flagrante previsto na legislação. Por esse motivo, a Justiça determinou o relaxamento da prisão do jovem. Segundo a Justiça, a decisão levou em conta o fato de o adolescente não possuir registros anteriores de atos infracionais. Assim, ele responderá ao procedimento em liberdade. Quem é o suspeito? Lourival Lucena Pinto Filho, é considerado o principal suspeito do feminicídio. Reprodução Lourival, apontado como principal suspeito pelo feminicídio de Gabia, já havia sido preso anteriormente por agredi-la em um caso de violência doméstica, segundo a Polícia Civil. A polícia tenta localizar o homem e trabalha com a hipótese de que ele possa ter sido morto após ser sequestrado pelos filhos da vítima. O histórico de violência entre o casal já havia sido registrado pela polícia. Em um dos casos, o suspeito foi preso em flagrante após a vítima relatar que foi agredida durante a madrugada. Na ocasião, ela decidiu renunciar ao pedido de medidas protetivas e o homem foi liberado após audiência de custódia. Entenda o caso Gabia Socorro da Silva foi encontrada morta dentro de casa. O principal suspeito do crime é seu marido. Reprodução Gabia foi atingida por pelo menos três golpes de faca na região do abdômen, conforme análise preliminar da perícia. A polícia informou que o filho adolescente foi quem encontrou a mãe morta dentro de casa. Segundo a investigação, após descobrirem a morte da mãe, três filhos de Gabia foram até a casa do suspeito, onde ele foi agredido. Em seguida, os jovens colocaram o homem em uma motocicleta e o levaram do local. Desde então, ele não foi mais visto. O pai do suspeito contou à polícia que ouviu dos jovens a ameaça de que eles matariam o homem. A última vez que ele foi visto foi na casa do pai, que fica a poucos metros da casa onde a vítima foi encontrada morta. Durante as investigações, o adolescente de 16 anos foi apreendido e o irmão dele, de 22, foi preso pela Polícia Militar durante o velório da mãe, em Confresa. Os dois são suspeitos de envolvimento no sequestro do padrasto. 🚨Como pedir ajuda? Interface do aplicativo 'SOS Mulher MT' Reprodução O aplicativo 'SOS Mulher MT' é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva. O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis. Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências. O que é a Lei Maria da Penha A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de criar mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo a Lei, a violência doméstica contra a mulher envolve qualquer ação baseada no gênero, ou seja, a mulher sofrer algum tipo de violência apenas pelo fato de ser mulher. O Instituto Maria da Penha aponta que essa violência pode ser dos seguintes tipos: Violência física: qualquer ação que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher. Exemplos: espancamentos, estrangulamento, cortes, sacudidas, entre outros Violência psicológica: qualquer ação que cause dano emocional e diminuição de autoestima; prejudique e perturbe o desenvolvimento da mulher ou tente degradar e controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. Exemplos: ameaça, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, entre outros Violência sexual: qualquer ação que obrigue a vítima a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada. Exemplos: estupro, impedir uso de contraceptivos, forçar prostituição, entre outros Violência patrimonial: qualquer ação que configure retenção ou destruição de objetos, instrumentos de trabalho, documentos, bens e valores da vítima. Exemplos: controle do dinheiro, destruição de documentos, estelionato, deixar de pagar pensão alimentícia, entre outros Violência moral: qualquer ação que configure calúnia, difamação e injúria. Exemplos: acusar a mulher de traição, expor a vida íntima, desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir, entre outros O que é medida protetiva? As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas que estejam em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade. São dois tipos: as voltadas para o agressor, para impedir que ele se aproxime da vítima; e as voltadas para a vítima, para garantir a sua segurança e a proteção dos seus bens e da sua família. Quem pode solicitar? Qualquer mulher que esteja passando por uma situação de violência doméstica e familiar, independente do tipo de ameaça, lesão ou omissão. Como solicitar medida protetiva? A solicitação da medida protetiva pode ser feita em delegacias, Ministérios Públicos ou na Defensoria Pública. A mulher não precisa estar acompanhada de um advogado para fazer o pedido.

FONTE: https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2026/03/13/filho-de-vitima-de-feminicidio-detido-no-velorio-da-mae-e-solto-apos-justica-considerar-prisao-ilegal-em-mt.ghtml


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